A chegada do verão transforma o turismo brasileiro em um grande palco de oportunidades. Praias cheias, destinos de natureza em evidência, cidades históricas mais movimentadas e uma agenda intensa de eventos fazem da alta temporada o período mais estratégico para quem vive do turismo. Dentro dessa realidade, o guia de turismo ocupa uma posição central. É ele quem interpreta o destino, organiza o fluxo de visitantes e garante que a experiência aconteça com qualidade, segurança e profissionalismo. Exatamente por isso, a alta temporada começa muito antes, no planejamento.
Os dados do Ministério do Turismo e da Embratur mostram que o verão, de dezembro a março, concentra uma parte significativa da movimentação turística nacional, impulsionada tanto pelo turismo interno quanto pela retomada do fluxo internacional. É um período em que cresce a demanda por serviços personalizados, roteiros de experiência e atendimento qualificado. Para o guia de turismo, isso significa mais oportunidades de trabalho, mas também mais responsabilidade. A improvisação não cabe em uma estação que exige agilidade, preparo técnico e visão estratégica.
O maior erro é acreditar que a alta temporada se resolve sozinha e muitos profissionais esperam a chegada do verão para começar a se organizar. Quando, na verdade, atualizar cadastros, fortalecer parcerias com agências e hotéis, revisar roteiros, ajustar valores, investir em comunicação digital e capacitação devem estar estruturados com bastante antecedência.
Nesse planejamento, um ponto que merece atenção é o comportamento do turista de verão. Ele está mais atento, mais conectado e mais exigente. Busca autenticidade, quer sentir pertencimento ao lugar e valoriza profissionais que demonstram domínio do território e sensibilidade cultural. Isso coloca o guia em um papel ainda mais relevante: além de conduzir, ele educa, orienta e constrói vínculos, que podem inclusive provocar trazer o turista de volta.
Sem dúvidas, para o guia de turismo, a alta temporada como um teste de maturidade profissional. É quando ele comprova sua capacidade de organização, comunicação e liderança. É também quando se evidencia a importância do trabalho em rede. Nenhum guia atua sozinho. A articulação com condutores locais, profissionais de apoio e empresários do setor, gestores públicos e entidades de apoio faz toda a diferença para que a experiência do visitante seja fluida e segura.
No Brasil, onde o turismo cresce em diversidade de produtos e destinos, a preparação antecipada é o que separa o guia que apenas atende a demanda daquele que constrói carreira. O verão não pode ser visto apenas como um período de maior faturamento, mas como uma vitrine profissional. É nesse momento que se fidelizam clientes, se fortalecem marcas pessoais e se abrem portas para novas oportunidades ao longo do ano.
Eu sou uma entusiasta da profissão, por isso considero que o guia de turismo precisa assumir sua condição de empreendedor do próprio trabalho. Planejar a alta temporada é planejar o futuro da sua profissão. Quem se organiza antes, trabalha melhor durante e colhe resultados mais consistentes depois. A alta temporada passa rápido. O que permanece é a reputação construída.
Sendo assim, preparar-se para o verão é mais do que estratégia de mercado. É um compromisso com a qualidade do turismo brasileiro e com a valorização de uma profissão que sustenta a experiência turística em sua essência. Quando o guia se antecipa, o destino ganha em organização, o turista ganha em experiência e o próprio profissional ganha em reconhecimento.
Ana Macêdo
CEO We Guide
